12h24 - 11/08/2009
Nossa História: Conheça Pão de Açúcar
No
início do século XVII, os índios Urumaris receberam de D.João VI um vasto lote
de terras às margens do rio São Francisco, onde hoje está localizada a cidade
de Pão de Açúcar. Os reflexos da lua cheia nas águas do "Velho Chico"
despertaram a sensibilidade poética dos primeiros habitantes do lugar.
Deram-lhe o nome de Jaciobá, que em guarani significa "Espelho da
Lua". A cidade conserva até hoje a tradição de ser o berço de muitos
artistas e poetas. A
presença dos Urumaris chamou a atenção dos índios Chocós, habitantes da pequena
ilha de São Pedro. Cheios de cobiça, os Chocós invadiram o lugar e, após dias
de intensa luta, expulsaram os Urumaris. Estes foram viver em uma localidade
próxima, do outro lado do rio, que também chamaram de Jaciobá. Por
volta de 1660, por carta de Sesmaria, as terras passaram ao domínio do
português Lourenço José de Brito Correia que criou uma fazenda de gado no lugar
que chamou de Pão de Açúcar. Supõe-se que o novo nome foi inspirado no morro do
Cavalete, elevação geográfica que lembra uma antiga forma usada no processo de
clarificação do açúcar. No morro do Cavalete foi erguida, no início da década
de 1950, uma estátua do Cristo Redentor, semelhante à existente na cidade do
Rio de Janeiro. Mais tarde, o poeta Jorge de Lima lamentaria em seus versos -
"Jaciobá, Espelho da Lua, por que te chamam Pão de Açúcar?" Em
1815 as terras da fazenda Pão de Açúcar foram postas em leilão, na vila de
Penedo, Comarca de Alagoas, e arrematadas pelo padre José Domingos Delgado e
seus irmãos Salvador Rodrigues Delgado e Inácio Rodrigues Delgado. Graças à boa
administração dos irmãos Delgado, a fazenda transformou-se em povoado, elevado
a vila em 3 de março de 1854. Pela Lei nº756, de 18 de junho de Visita do
Imperador É
destaque na história de Pão de Açúcar a visita do imperador D.Pedro II que, em
viagem à cachoeira de Paulo Afonso, pernoitou na cidade nos dias 17 e 22 de
outubro de 1859. Em seu diário de viagem, depositado no Museu Imperial, D.
Pedro tece elogios à vila: "A vista do Pão de Açúcar é bonita". O
imperador descreve como foi sua chegada: "Cheguei por volta das 8 ao Pão
de Açúcar. Receberam-me com muito entusiasmo e um anjinho entregou-me a chave
da vila. Defronte desta povoação há uma grande coroa de areia, que me cansou
atravessar e com a luz dos foguetes, que não têm faltado por todo o rio(...).
No outro dia,"acordei antes das 5, e pouco depois das 6 fui dar um passeio
pela vila. A matriz é pequena, mas decente, só tem inteiramente pronta a
capela-mor, o resto acha-se coberto. Há uma bela rua direita longa e muito larga,
e outra perpendicular também direita, porém menos longa e larga. Só vi uma casa
de sobrado, a da Câmara, onde me hospedei.". O sobrado onde pernoitou D.
Pedro II encontra-se totalmente nas ruínas. O projetos é de que será transformado em museu. Sítios
Arqueológicos Pesquisadores
da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) confirmaram e mapearam vários sítios
arqueológicos localizados na Serra dos Meirús, na Pedra do Navio, Pedra do
Alemar e outras regiões do município. Nesses locais foram encontradas
inscrições, fósseis de animais e objetos pré-históricos. Transformados em
pontos turísticos, os sítios têm atraído a atenção de visitantes e estudiosos. Cristo Redentor Semelhante
ao munumento erguido no morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, o Cristo de Pão
de Açúcar foi inaugurado no dia 29 de janeiro de 1950. Obra do escultor João
Lisboa, nascido na cidade, o monumento mede Do
alto do Cristo, pode-se ver toda a cidade, o São Francisco, as diversas praias
e a comunidade de Niterói, localizada na outra margem do rio. A semelhança com
o Rio de Janeiro tem despertado a curiosidade da imprensa e, nos últimos anos,
rendido várias reportagens nas grandes redes de TV, diários e revistas do país,
inclusive na National Geographic Brasil. Turismo O
município tem uma estrutura ideal sertaneja para o turismo,principalmente os
bancos de areia que se formam no leito do rio São Francisco,conhecidos como
"prainha",recebe muitos turistas no final de semana,vindos de
municípios vizinhos em Alagoas,Bahia e Sergipe,gerando assim uma fonte de
circulação real da economia local. Manoel Bezerra
Lima Maestro
Nezinho ou Manoelito, nasceu em Pão de Açúcar no dia 6 de Junho de 1883 e
morreu em Recife(PE), em 15 de Janeiro de 1945. Cego de nascença, foi um grande
violonista e compositor. Estudou música desde criança. Ingressou em 1912 no
Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, onde aprendeu a ler e a
escrever De
volta a Alagoas, fez vários concertos no Teatro Deodoro e no Cine-Teatro
Floriano. Em 1925, criou, juntamente com Luperce Miranda, Augusto Calheiros,
João Frazão, João Miranda e Romualdo Miranda, o grupo Turunas da Mauricéia que
fez muito sucesso em todo o Brasil. Com os Turunas, Manoelito gravou 18 discos,
tendo participado de dezenas de apresentações. Com a separação do grupo, em
1927, fez muitas apresentações, sozinho, por todo o País. Era considerado "O
Mozart Alagoano". Seus concertos eram muito concorridos. Entre as suas
composições, destacam-se sambas, polcas, tangos, valsas e choros como Escorrego
do Urubu, Fuxico, Abandono, Amor oculto, Dedos por cordas, Cortina de Veludo,
Bem-te-vi, Estado Novo. Fernando
Rodrigues dos Santos Escultor,
morava em Ilha do Ferro, povoado distante alguns quilômetros, rio acima, de Pão
de Açúcar. Suas obras estão expostas em vários museus e galerias por todo o
país. São cadeiras, mesas, bancos, dragões, peixes, macacos, seres e coisas
saídos da imaginação do escultor, materializaados em mulungú, imburana,
craibeira e outras espécies de madeira da região, que ele colhia, em segredo,
nas noites de lua cheia. "Fernando
Rodrigues, o Fernando de Ilha do Ferro, deixou uma herança cultural muito
forte, porque tudo que ele criava tinha a marca de Ilha do Ferro. Era um
artista reconhecido muito além de Alagoas, um designer do Brasil e do mundo,
tanto que suas cadeiras estão espalhadas pelo planeta" disse a artistá
plástica Maria Amélia, em entrevista a O Jornal (13 de janeiro de 2009, pág.
B1), logo após a notícia de sua morte, às 14h30 no dia 10 de janeiro de 2009,
aos 80 anos. "Seu"
Fernando inspirou o cineasta Celso Brandão que, em 1981, produziu o vídeo
Desvirando o Bicho. Celso conta que viajou até Ilha do Ferro para fotografar um
bordado da região, o Boa Noite. Lá, conheceu Fernando, que já era bastante
reconhecido em todo o Baixo São Francisco, por seus bancos feitos de galhos de
árvores. "Saí andando por Ilha do Ferro e me deparei com uma placa onde
havia escrito Bar Redondo. A arquitetura do lugar me chamou a atenção porque
todo o mobiliário tinha a forma de círculo", diz Celso lembrando como
tomou conhecimento da obra do escultor e começou a amizade que gerou o vídeo. Fernando
Rodrigues dos Santos, nascido em Pão de Açúcar, no dia 1 de dezembro de 1928,
era considerado, como mestre artesão em madeira, Registro do Patrimônio Vivo do
Estado de Alagoas, conforme a Resolução nº 01/2007 Livro de Tombo nº 05, à
folha 06 verso, a partir de 13 de abril de 2007. Lampião A
gruta de Angicos, local onde morreu Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião,
fica a poucos quilômetros, subindo o rio, entre as cidades de Pão de Açúcar(AL)
e Piranhas(AL), no município de Poço Redondo(SE). O famoso cangaceiro e seu
bando, de quase 200 homens, assombravam o Sertão na primeira metade do século
passado. E, apesar de vagarem por muitos anos pelas terras do município
cometendo todo tipo de crime, assaltando fazendas e povoados, nunca invadiram
Pão de Açúcar. Conta-se que o "Rei do Cangaço" temia a presença do
Tiro de Guerra 656, uma socidade cívico-militar que treinava os jovens da
região para a defesa da cidade, além prestar serviços comunitários. Gervásio
Santos, em seu livro Um lugar no passado, conta que em 1927 Lampião, que havia
invadido duas fazendas próximas, mandou um emissário à cidade com cartas para
os próprietários dos imóveis exigindo de cada um a importância de 4.000$000
(quatro mil contos de réis), uma fortuna para a época. Caso o pedido não fosse
atendido, o cangaceiro ameaçava fuzilar todo o gado das fazendas. Protegidos
pelos homens do Tiro de Guerra, os fazendeiros responderam com um bilhete
debochado: "...que se Lampião quisesse tirar raça de homem valente, mandasse
a mãe dele aqui para Pão de Açúcar". Como podia-se prever, o cangaceiro
sadicamente matou todo o gado e quase destruiu as fazendas mas nunca pisou em
Pão de Açúcar. Lampião
e mais dez cangaceiros, inclusive Maria Bonita, foram mortos na madrugada do dia
28.07.1938, na gruta de Angicos, pela volante de soldados alagoanos comandada
pelo Capitão João Bezerra. Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) / Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) / Wikipedia.org
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